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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Centro de Comunicação e Letras

CURSO DE JORNALISMO – 3º SEMESTRE DE 2007

 

 

Disciplina: Teoria das Mídias I

 

Professor Edson Capoano

 

 

 

 

 

 

 

Mídia Terciária

“Broadcast your life”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aluna da Turma D

Marina Sartori

Mayra Lopes

Natasha Pinelli

Paula Ab

Tássia Fernandes

Tatiana Carvalho

 

São Paulo, 28 de novembro de 2007



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h44
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Introdução

 

“(...)são aqueles meios de comunicação que não podem funcionar sem aparelhos tanto do lado do emissor quanto do lado do receptor” (Pross, 1971:226).

 

            Assim, Harry Pross define mídia terciária, que indicou a quebra de barreiras espaço-temporais e o surgimento de uma importante ruptura no conceito de comunicação.

Importante, porém, destacar que essa mídia exige para seu desenvolvimento a eletricidade, incluindo, por exemplo: telefone, rádio, fax, televisão, cinema, cd’s, internet, computador, etc.

A dimensão do espaço torna-se relativa, pois os processadores eletrônicos operam cada vez mais em uma escala temporal impossível de reconhecê-la pelos sentidos, mas apenas pela matemática. A dificuldade da locomoção física da mensagem presente na mídia secundária anula-se na terciária, sendo mais fácil a reprodução, aumentando assim o seu alcance e consumo.

A mídia terciária deu um novo ritmo a organização social e a comunicação, podemos nos comunicar com uma pessoa que não esteja no mesmo espaço físico e mais ainda, não importa onde ela está desde que tenha um aparelho que decodifique a mensagem transmitida. É possível optar pela oralidade mediata à distância.

É criada uma nova visão de presente, pois, como a capacidade de armazenamento da mensagem aumenta, o receptor pode acessá-la quando quiser, inicia a presença conservada.

A disseminação incondicional traz aspectos negativos, uma hipertrofia dos sentidos, diminuindo o poder de aprendizagem e o desenvolvimento da imaginação das pessoas.

Neste trabalho sobre mídia terciária, vamos enfatizar o poder da internet e de suas ferramentas. Desde a popularização da cibernética e da informática, a sociedade contemporânea e as chamadas novas tecnologias passaram a caminhar de mãos dadas, construindo o que hoje entendemos por cibercultura que, como explica Pierre Levy “Não é a cultura dos fanáticos da Internet, é uma transformação profunda da noção mesma de cultura”.

Os avanços tecnológicos ocorridos desde a primeira metade do século XX espalharam-se em um ritmo acelerado, tornando-se onipresentes na vida das pessoas: nas artes, agricultura, economia, política, enfim, junto a todas as atividades práticas contemporâneas. Essa invasão pode ser associada com a preocupação desenfreada do capitalismo em procurar um método técnico mais eficiente em todas as formas práticas de produção.

O que vemos atualmente é o crescimento e interligação total entre o indivíduo e as redes. Não somente os computadores, mas os telefones celulares, carros e até geladeiras estão ligados entre si, tornando cada vez mais fácil o acesso ao ciberespaço criando uma série de relações entre a rede e as maneiras de como os internautas irão se relacionar. A internet, diferente dos demais media, não vai isolar ou homogeneizar a sociedade, e sim abrir campo para que ocorram mais interações entre diferentes pontos. Por meio de diversas ferramentas de navegação que oferecem e virtualizam as mais variadas formas de comunicação, o internauta tem a chance estreitar laços e estabelecer as mais variadas trocas de informações possíveis.

A interatividade entre o receptor e o produtor é uma das mais interessantes aplicações que a internet trouxe. Basta estar conectado na internet que qualquer um tem o acesso para se expressar e conversar com o próprio jornalista que redigiu a matéria. Por meio de correio eletrônico e blogs, o que iremos tratar nos próximos tópicos. Organizar o conteúdo e recriá-lo de forma atraente e cativante será uma das principais metas da web.

Em uma visão mais científica relacionada ao termo, temos o conceito de Pierre Lévy, que diz que: “O termo ‘multimídia’ significa, em princípio, aquilo que emprega diversos suportes ou diversos veículos de comunicação.



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h42
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Democratização da Informação

 

Nunca houve na história da humanidade acontecimento de maior relevância quanto o da revolução tecnológica. Com o surgimento da internet nasceu uma nova sociedade, que nas palavras de Marshall McLuhan, precursor da teoria da comunicação, é denominada “aldeia global”. Neste sentido, o planeta está interconectado, em um novo espaço de comunicação e conhecimento criado pela Internet. Este espaço, que não possui características físicas, mas sim virtuais, é o ciberespaço. Érico Guizzo refere-se a ele como algo inevitável para a sociedade:

“Não há como escapar. O ciberespaço tomou conta do planeta. Engoliu todos nós – pessoas, máquinas e replicantes - , incorporando nossas virtudes e nossos defeitos. O ciberespaço deu vida à “aldeia global”. Ele é a alma de um novo mundo em formação.” (OLIVEIRA, 2001. p44)

Neste sentido, de que tanto nossas virtudes quanto nossos defeitos são incorporados, surgem novos questionamentos sobre os caminhos que a internet está seguindo, e questão sobre democracia e ética começam a aparecer. Primeiramente por que não são todas as pessoal que estão inclusas digitalmente. William J. Mitchell, autor do livro “City of Bits” revela: “Como os sem-terra, haverá os “sem-bits”. Os privilegiados serão ‘ricos de informação’” (OLIVEIRA, 2001. p63)

            Além disso, o comportamento dos usuários variam assim como seus perfis. O conteúdo do “hipertexto” é ilimitado, e os usuários impossíveis de qualquer classificação, sendo de todas as cores, raças, e estilos.

Dênis de Moraes, autor de A ética comunicacional na Internet, fala sobre a cibercidadania e defende a idéia da auto-regulação da sociedade na Internet, mesmo que reconheça os perigos que ela engloba:

 

 “Claro que na Internet há pornografia, nazistas e muitas coisas que nos desagradam, mas na sociedade também tem. E nem por isso temos que implantar um sistema burocrático

que vigie cada cidadão.” (FRIEDMAN apud OLIVEIRA,2006. p211)

           

 

Mesmo havendo elementos nocivos a uma sociedade virtual ideal, como hackers, sites de pornografia, e também com intenções intenções antisociais, é necessário que haja a permanência da democracia em contrapartida à intenções de censurar o ciberespaço:

 

“O que devemos fazer é utilizar o enorme potencial da Internet, por exemplo, para reviver a democracia, não enquanto substituição da democracia representativa por meio do voto, e sim para organizar grupos de conversação, plebiscitos indicativos, consultas sobre distintos temas, proporcionar

informação à população.” (THOMPSON, 1995. p266)

 

Pos isso as questões deste novo meio são contraditórias. De um lado, os benefícios da relação de intercâmbio cultural, troca infinita de saberes, e conhecimento ilimitado, tudo construído a partir de uma única “aldeia global”. Do outro lado, a ação mal intencionada de membros do cyberespaço que colocam em perigo a saúde da sociedade virtual.

Denis, neste sentido, volta seu olhar o desempenho que esta nova tecnologia deve desempenhar, sem ações totalitárias e radicais:

“Esperase o aprimoramento de programas capazes de: a) ampliar a margem de segurança nas transações eletrônicas; b) bloquear, exclusivamente a critério dos usuários, conteúdos impróprios e lesivos; c) criar sistemas inteligentes que, nos marcos legais, localizem e desarticulem o banditismo digital.

(...)É preciso coibi-los, mas sem instaurar regimes autoritários de vigilância e censura, ao atropelo de direitos fundamentais

da cidadania. As legislações sobre proteção do consumidor e de direitos de propriedade. (CITAÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!)

 

A sociedade virtual está apenas dando seus primeiros passos. Com o tempo, seja por necessidades sociais, exigências do mercado, ou desenvolvimento técnico, tudo vai se auto-regularizando. Cabe também á sociedade a fazer seu papel político-social ativo, sem esperar ações políticas, que na maioria das vezes, podem ser radicais.



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h41
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A influência do áudio-visual na sociedade atual

 

Guerra foi feita pra TV

Mike Deaver, responsável pela comunicação na administração de Regan, pôde declarar depois da Guerra do Golfo: “A estratégia militar foi pensada em função da cobertura televisiva”. Então, pode-se dizer que toda vez que se trata de poder e conflito, trata-se de uma guerra de almas. (GAZUT apud MARCONDES, 2001, p92)

 

            Ficamos cada vez mais com a certeza do poder que a mídia áudio-visual possui sobre a sociedade, sobretudo a brasileira. A TV e os telejornais são armas de confirmação de fatos pelas pessoas: o que é importante está na TV. “Pelo fato de monopolizar todo o sistema atual de informações, a TV funciona como o ‘mundo’” (MARCONDES, 2001), a partir dessa citação de Ciro Marcondes, em Comunicação e Jornalismo: A saga dos cães perdidos, o autor fala de um mundo “não-existente” sem o meio televisivo e que o mundo “real” passa a ser ignorado.

            Um dos motivos da televisão ter se tornado um meio tão difundido é por causa da linguagem utilizada, sempre simples, atingindo o público médio, através das normas e convenções estilísticas, que, como diz João Carlos Correia, “contribuiu para informar a percepção de ordem social” (CORREIA, 1995), contribuindo assim para uma “[...] construção social da realidade”.

 

[...] sem o jornalismo não se formaria opinião pública ou pelo menos esta teria uma configuração decerto diversa daquela que conhecemos. Porém, muitas das vezes graças a ele, a dinâmica que se geraram em seu redor, o mero conformismo com as atitudes públicas julgadas dominantes substituiu os mecanismos verdadeiramente públicos de formação da opinião. (CORREIA, 1995. p3)

 

            Nos modos tradicionais ou nos mais tecnológicos, (televisão digital ou online) a TV é tida como o espaço do conhecimento, do “reconhecimento social, da fama, da glória”. E agora, com todos os novos aparatos que permitem que qualquer pessoa faça sua própria programação ou dirija seu próprio programa, a tendência deste meio “é ficar cada vez menos passivo”, como disse Nicolas Vargas, produtor do site da MTV, em entrevista.

            Para Marcondes, a “conseqüência do processo de informatização da atividade [jornalística], fato é que a vida de jornalista tem se tornado cada vez mais difícil” (MARCONDES, 2001) e o autor também diz do como a TV superou as demais mídias no quesito credibilidade

 

[...] mesmo os tarimbados jornalistas de informação política e geral estão reconhecendo o recuo de seu prestígio: primeiro a TV tem de noticiar para despertar interesse na notícia, depois é que eles podem aspirar a serem lidos. MARCONDES, 2001. p58)

 

            Por fim, o autor cita o exemplo do caso Mônica Lewinski ter surgido da internet a partir de um “não-jornalista”, refoçando a tese de que “hoje em dia qualquer um pode exercer a profissão” (MARCONDES, 2001). O mesmo acontece com a produção de reportagens, já que os “não-jornalistas” não possuem compromisso com prazos ou com manter seu emprego.

            Todas essas novas tecnologias juntas ao desprestígio da classe de jornalistas e a falta do cumprimento das regras trabalhistas, o jornalismo perde sua identidade, sua credibilidade:

 

Uma atividade “que não existe”

Por que será que tenho, também eu, a sensação que esta profissão não existe, que não tem de fato corpo, estatuto, que as práticas jornalísticas constituem na melhor das hipóteses um conjunto heterogêneo com limites incertos, prontos a se deslocar sob as pressões tecnológicas ou econômicas? (LACAN apud MARCONDES, 2001. p60)



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h41
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Evolução tecnológica e as transformações na mídia

 

Pode-se dizer que os avanços na tecnologia da comunicação acompanham o desenvolvimento das sociedades modernas. Com a evolução da escrita e principalmente após a prensa de Gutenberg, experimentou-se o aparecimento das notícias e de outras vertentes da comunicação, que mais tarde se consolidariam como um dos maiores fenômenos do século XIX e XX, a comunicação de massa.

Ao longo do desenvolvimento da comunicação, algumas mídias destacam-se pela participação na comunicação de massa, e também por atuarem ativamente no viés da globalização. São elas as agências de notícias, fundadas em meados do século XIX, são empresas de caráter jornalístico especializadas em difundir informações e notícias para outros veículos de comunicação.

Outro meio de comunicação que merece destaque por ter inovado em sua época foi o Rádio. Inventado em 1920, nos estados Unidos, o rádio viveu sua época de glória nas décadas de 30 e 40, período em que o maior disseminador de cultura e opinião. Já na década de 50 o rádio deu lugar a mais poderosa de todas as mídias, a televisão.

Porém, foi no fim da década de 90 que o mundo assistiu a maior revolução já vista no mundo da comunicação. A world wide web reuniu em um espaço virtual todo o globo.

A chegada da internet fez com que todas outras mídias passassem por transformações estruturais, visando principalmente à abrangência de público e conteúdos inovadores.

Segundo o teórico John B. Thompson, as novas invenções são resultados de mudanças na economia, política e tecnologia, todos estes impactos resultam em quatro novas tendências.

A primeira dessas tendências é a CONCENTRAÇÃO, trata-se do fenômeno doa aparecimento dos “conglomerados de comunicação”. Outra tendência por ele elaborada e que hoje pode ser observada em grande escala nos meios de comunicação é a DIVERSIFICAÇÃO, ou seja, a necessidade de expandir as linhas de produção cultural, um produto deve estar presente no maior número de mídias possível para atingir um grande público.

A terceira tendência de Thompson é a GLOBALIZAÇÃO, segundo ele a tecnologia possibilita a facilidade ao acesso de qualquer informação, em qualquer parte do mundo, as barreiras são quebradas e não existe mais o problema da distância. Entretanto, esta mesma globalização é responsável pela formulação da quarta tendência, a DESREGULARIZAÇÃO. Nesta vertente o pesquisador aborda a questão da falta de uma lei universal que regre o espaço virtual. Sobre esta perda de orientação e regras, Thomas L. Friedman analisou em seu livro “O Mundo é Plano”:

 

“Os antigos limites – muros, tetos e chãos – estão desaparecendo, mas ainda não sabemos exatamente o que vai substituí-los. Mas sabemos que todos nós ainda somos seres humanos, e seres humanos precisam de paredes, tetos e chãos – precisamos de normas de comportamento e regras de comércio consensuais. Precisamos de maneiras consensuais de estabelecer autoridade e construir comunidades, trabalhar, proteger direitos autorais e determinar em quem confiar.” (FRIEDMAN, 2006. p276)

 

 

A chegada da internet proporcionou a prospecção de novos mercados e novos públicos, a fim de estabelecer uma relação de fidelidade com o consumidor, também pulverizou fontes e opções de informação. Elaborando uma forma elaborando de produção e transmissão. O consumidor não é apenas receptor da mensagem, ele tem o poder de emissão e de modificação, este é o aspecto mais marcante da internet, denominado como interatividade.

Sobre este assunto John B. Thompson analisou:

 

“... o desenvolvimento das novas tecnologias da comunicação apresenta também a possibilidade de uma forma de comunicação mais personalizada e interativa, no sentido de que elas dão aos receptores maior escolha na seleção dos canais e serviços e maior capacidade de transmitir mensagens próprias através do sistema.” (THOMPSON, 1995. p276)

 

 

            Outro grande poder da internet é o de organizar e juntar em um único espaço o mundo inteiro. Este fenômeno conhecido como “ciberespaço” acontece em um lugar não concreto e não real, e é responsável por reconfigurar a noção dos espaços, das relações pessoais e das estruturas de poder. É extremamente notável a redução dos espaços e aproximação das pessoas.

            Thomas L. Friedman, autor do livro “O Mundo é Plano” faz uma importante explanação sobre o alcance global oferecido pelo site Google, que é o maior site de buscas de toda a internet:

 

“Com efeito, é a notável diversidade de buscas realizadas por meio do site, em tantos idiomas diferentes, que faz desse motor de busca em particular (e dos buscadores em geral) uma força niveladora tão potente. Nunca antes, na história do mundo, tanta gente – por conta própria – teve a possibilidade de encontrar tantas informações sobre tantas coisas e sobre tantas outras pessoas.” (FRIEDMAN, 2006. p211)

 

 

            A revolução da internet trouxe consigo outro aspecto de importante relevância no campo da comunicação, a convergência das mídias. Após o “estouro da bolha” e a enorme aceitação que a internet obteve, ficou claro aos produtores de outras mídias que seria necessário uma convergência multimídia para manter-se no mercado.

            O Jornal do Brasil foi o primeiro jornal brasileiro a disponibilizar uma versão para internet. Hoje em dia, além do conteúdo impresso, os jornais dispõem de portais de notícias, com produções exclusivas para a internet.

Nas outras mídias podemos analisar a ocorrência do mesmo fenômeno, a maioria dos canais de TV possui sites na internet, que possibilitam a interação com o público, e ainda o colocam como um produtor de informação. A internet possibilita também que duas mídias diferentes caminhem lado a lado, como é o caso de programas de rádio que são passados em tempo real em seus portais na rede.

A internet não foi uma revolução apenas na área da comunicação, ela responsável por uma transformação profunda nos hábitos da sociedade e da interação. Ela estabeleceu relações reais dentro de um plano não físico e não real. John B. Thompson, no livro “Ideologia e Cultura Moderna”, destaca a importância das revoluções, no âmbito da comunicação:

 

“Na verdade, a mudança tecnológica foi sempre crucial na história da transmissão cultural: ela altera a base material, bem como os meios de produção e recepção, dos quais depende o processo de transmissão cultural.” (THOMPSON, 1995. p266)



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h40
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A Notícia na era das novas tecnologias

 

O advento da eletricidade e das novas tecnologias de comunicação aliado às imposições da modernidade no que diz respeito ao modo de vida acelerado, baseado no dinamismo, na velocidade e na fluidez, trouxe ao jornalismo um novo caráter. Caráter esse chamado por Ciro Marcondes Filho, em “Jornalismo Fin-de-Siècle”, de “Imaterialidade Jornalística”. Segundo ele, o jornalismo dessa nova era, a dos sistemas de comunicação complexos e sofisticados tecnologicamente falando, passa por um processo de transformação de quatro itens, que subdividem seu estudo: o texto, a imagem, a prática jornalística e o processo de trabalho.

Cabe a essa parte do trabalho discutir o texto e o novo formato de notícia, caracterizado pela fragmentação, concisão, resumo e informação isenta de densidade e opinião.

A modernidade trouxe consigo a valorização da máquina em relação ao homem, que deve acompanhá-la no que diz respeito a seus atributos. A evolução dos instrumentos ultrapassou em algumas dezenas de vezes a evolução humana e, desse modo, o homem passa a correr atrás do tempo perdido, trazendo para si conceitos possivelmente compatíveis somente com as capacidades da máquina. Vilém Flusser, em “A História do Diabo” (2005), ilustra essa idéia com os seguintes dizeres:

 

“A vivência de sermos apenas instrumentos, que a evolução da tecnologia nos proporciona, tem por efeito a perda do nosso senso de realidade dentro do mundo transitório dos instrumentos.” (FLUSSER, 2005. p 134)

 

 

 O homem se esquece de que sendo “menos capaz” em alguns aspectos, há imperfeições que, no tempo que nos foi dado, ficaram para trás. A notícia toma nova forma, precisa informar em alta velocidade, mas ao passar tão rápido nas mãos do jornalista ela perde algumas características originais importantíssimas como a formação de opinião do leitor. Ainda com Flusser, o homem tem de, então, moldar o formato da notícia à “fúria” dos instrumentos, submetendo-se aos comandos da própria criação.

 

“O progresso furioso problematiza o progresso. As conquistas rápidas da mente problematizam a mente. O próprio êxito do diabo problematiza o diabo. É um resultado absurdo da gula, que o diabo não esperava. Tencionava o diabo preparar a mente humana para a soberba com o instrumento da tecnologia. O homem como criador da realidade. Mas eis que a tecnologia humilha o homem. O homem como escravo dos seus próprios produtos.” (FLUSSER, 2005. p 134)

 

 

            O jornalismo, nas novas mídias, e principalmente na internet passa a perder seu valor como formador de opinião para o simples informar. O texto fragmentado e formatado em parágrafos distantes e pouco vinculados uns com os outros aos poucos diminui, até chegar à forma mais explorada pelos veículos de comunicação na internet hoje: o drop. O lead transforma-se na notícia completa e as seis perguntas do jornalismo aparecem em pouco mais de 10 linhas. O drop responde ao ritmo desenfreado da contemporaneidade, a necessidade de informar-se rapidamente, mas quando o veículo opta somente por ele a notícia perde muitos aspectos do comunicar de forma completa. O leitor tem a ilusão de entender o acontecimento quando na verdade isso não ocorre. E eis o que Marcondes Filho conclui a respeito do que perde esse leitor:

 

“A sensação no final da leitura é de uma matéria que aspirou informar, mas que manteve-se no plano das pinceladas gerais, de tal forma que o leitor, sedento de notícias e conhecimento, o continuará sendo após essa leitura” (MARCONDES FILHO, 1993. p 128)

 

 

            Essa sensação de que se refere o autor, relaciona-se perfeitamente com o que diz Harry Pross em relação à incomunicação. O autor diz que comunicação e incomunicação andam sempre juntas e nunca uma anula a outra, mas na atual conjuntura da velocidade de transmissão de dados e conseqüentemente do excesso de informação quem é favorecida é a incomunicação. A mensagem, quando estabelece vínculos concretos entre o emissor e o receptor, ou seja, quando o acontecimento é apresentado de forma completa e compreensível ao leitor, comunica. Já o simples informar, o mostrar o acontecimento apenas em seu aspecto factual na forma de drop, permeia os campos da incomunicação. O estabelecimento de vínculo entre emissor e receptor torna-se complexo na Mídia Terciária, que ao aumentar as possibilidades da comunicação, ultrapassando limites espaciais e temporais, nos deixa deslumbrados e faz-nos esquecer de que “toda comunicação começa na mídia primária, na qual os indivíduos se encontram cara a cara, corporal e imediatamente, e toda comunicação retorna para lá” (PROSS 1972: 128).

            Para concluir, o que se vê hoje é o jornalismo como escravo do tempo, a superioridade da velocidade em relação à qualidade da comunicação e a transformação da linguagem jornalística. Espera-se que esse processo de mudança traga resultados positivos para o jornalismo e que estejamos sempre atentos à função primordial do jornalista: informar, comunicar, formar opinião, sempre levando em conta o interesse público. E por fim, tentar acabar com a triste conclusão de Ciro Marcondes Filho a respeito do jornalista:

 

“(...) o bom jornalista hoje é aquele capaz de dar conta das exigências de tempo, produzindo textos jornalísticos razoáveis e com uma grande maleabilidade redacional ou editorial. Ele deve ser uma peça que funciona bem, acoplável a qualquer altura, do sistema de produção de informações. A eficiência sobrepõe-se à questão da qualidade (originalidade, personalidade) do texto” (MARCONDES FILHO, 1993 p 128)



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h40
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Novas mídias

 

            No momento, o site de maior sucesso na internet é o YouTube. Fundado em fevereiro de 2005, pelos tecnólogos Chad Hurley, 29 anos, e Steve Chen, 27 anos. A proposta do site é permitir aos seus usuários carreguem, assistam e compartilhem vídeos. Em 9 de outubro de 2006, foi anunciada a compra do Youtube pela corporação Google, que no momento é uma das mais poderosas redes da internet, pelo valor de US$ 1,6 bilhão.

            Em novembro de 2006 a Revista Times elegeu o Youtube como a melhor invenção do ano, pois é uma forma jamais vista das pessoas se educarem, entreterem, informarem e até mesmo se chocarem.

            De acordo com estatísticas do Youtube disponibilizadas pelo jornal The Wall Street, o Youtube hospeda mais de 6 milhões de vídeos, e esse número cresce cerca de 20% a cada mês; o total de tempo assistindo a todos os vídeos disponibilizados no site seria em torno de 9305 anos; e as palavras mais procuradas são “dance”, “Love”, “music” e “girl”.

Outra grande novidade que chegou ao Brasil no começo deste ano foi o canal de banda larga da rede de televisão MTV, chamado de MTV Overdrive. Este tipo de espaço já existia em países como Estados Unidos e Reino Unido, porém é uma grande inovação no campo das mídias aqui no país.

O MTV Overdrive é como se fosse o canal de televisão disponibilizado pela internet, porém é muito mais interativo, pois o internauta pode escolher o que quer assistir a qualquer hora, sem depender de uma grade pré-determinada de programação. Além de poder ser um produtor de informação, disponibilizando vídeos de sua autoria dentro do próprio canal.

A MTV Brasil também utiliza este mesmo espaço para produzir conteúdos exclusivos que passam apenas na internet. No canal de tv o que vemos é um programa de mesmo nome, MTV Overdrive, que tem uma hora de duração. Durante este período são exibidos pequenos trechos, denominados “drops”, na qual o conteúdo na íntegra só está disponibilizado on line.  

Atualmente, sendo usado como uma ferramenta de comunicação para os mais diversos fins, os blogs são um potente canal de informação que estão causando uma verdadeira transformação nas redes telemáticas.

Weblogs são divididos em: diários eletrônicos que são os blogs atualizados com pensamentos, fatos e ocorrências da vida pessoal de cada indivíduo, como diários. A intenção desta categoria de weblogs não é trazer informações ou notícias, mas simplesmente servir como um canal de expressão de seu autor; publicações eletrônicas que são blogs que se destinam principalmente à informação e trazem como revistas eletrônicas, notícias, dicas e comentários sobre um determinado assunto; publicações mistas que são aquelas que efetivamente misturam posts pessoais sobre a vida do autor e posts informativos, com notícias, dicas e comentários de acordo com o gosto pessoal.

Em agosto de 1999 que Evan Williams, da Pyra Labs, nos Estados Unidos, criou o Blogger (http://www.blogger.com). Por ser um serviço gratuito, estando ao alcance de qualquer pessoa que tenha acesso à internet, o site trouxe grande número de adeptos do serviço.

Os blogs multiplicam-se aceleradamente, constituindo hoje um dos fenômenos mais acentuados da internet, eles têm vindo a afirmar-se em todos os domínios das sociedades contemporâneas. O ciberespaço seria, portanto, não mais que “o indispensável desvio técnico para atingir a inteligência coletiva” (LÈVY, 1999, p.130). O diferencial dessa ferramenta é que ela trouxe velocidade na criação, postagem e atualização dos ciberdiários, democratizando o acesso de não-especialistas simplificando a linguagem da internet tanto para o editor como para o internauta que o visita.

Calcula-se que já existam mais de um milhão deles e que a cada 40 segundos um novo está sendo criado, segundo dados da revista Newsweek de 26 de agosto de 2002. Os blogs também são o reflexo da emergência pós-moderna, do “tudo aqui e agora” que alimenta uma imensa máquina produtora de informação.

Os blogs pessoais em todo mundo estão ganhando um maior destaque e estigmatizando a ferramenta como diário de “confidências abertas”. Rótulo que vem abaixo quando se nota que pode ir além dos desfiles de egos, criando arte, literatura, humor, jornalismo.

Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h39
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Exemplos de Blogs

 

Ricardo Noblat é um jornalista que virou blogueiro. Ele veio para a web depois de passar por importantes veículos impressos do país, como as revistas Veja e Istoé, Jornal do Brasil e Correio Brasiliense. O Blog do Noblat está no ar desde março de 2004, fazendo a cobertura dos bastidores da política brasileira.

Criou um blog para poder atualizar os textos mais freqüentemente. Assim, ele poderia aproveitar a possibilidade de realizar atualizações contínuas em seus textos.

A possibilidade oferecida aos leitores para que eles deixem suas impressões faz com que o espaço dos comentários seja convertido em uma espécie de palanque político. Idéias divergentes se encontram e os conflitos aparecem. Essa troca de informações e esses debates sobre temas polêmicos são exemplos de interação mútua, em que ocorrem constantes negociações. Essa realidade remete, também, à idéia de Lèvy de que a interatividade se refere á participação ativa daquele que recebe a informação e ao diálogo entre vários participantes ou, ainda, à reciprocidade da comunicação.

 

ORKUT

 

O site de relacionamento foi lançado em Janeiro de 2004 pelo Google e, leva o nome de seu criador, o engenheiro turco Orkut Büyükkokten. O software é uma espécie de conjunto de perfis de pessoas e suas comunidades, é possível cadastrar-se, colocar fotos, preferências pessoais, listar amigos e formar comunidades.

            Além disso, existem ferramentas de interação variadas, tais como sistemas de fóruns para comunidades, envio de mensagens para cada perfil, envio de mensagens para comunidades, amigos e amigos de amigos (normalmente utilizadas para spam).

O Orkut é muito popular na internet, possui 15 milhões de membros, o Brasil tem o maio número de usuários cadastrados chegando perto de 70%. O segundo lugar são os Estados Unidos com apenas 14%.



Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h39
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Bibliografia

 

  • BAITELLO, Norval Jr. O Tempo Lento e o Espaço Nulo. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt. Acesso em 27 nov. 07

 

  • BAITELLO JR, Norval, SEGURA CONTRERA, Malena & EUGENIO DE O. MENEZES, José. Os meios da incomunicação. São Paulo: Editora Annablume, 2001.

 

  • CABRAL, Eula Dantas Taveira, FILHO, Adilson Vaz Cabral. Do massivo ao local: a perspectiva dos grupos de mídia. Disponível em http://www.reposcom.portcom.intercom.org.br. Acesso em 25 de novembro de 2007.

 

  • CORREIA, João Carlos. O Poder do Jornalismo e a Mediatiazação do Espaço Público. Disponível em http://www.bocc.ubi.pt. Acesso em 10 out. 2007.

 

  • FRIEDMAN, Thomas L. O Mundo é Plano, 2006 2ª edição – Rio de Janeiro, Editora Objetiva.

 

  • LÈVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

 

  • MARCONDES FILHO, Ciro. Comunicação e Jornalismo: A saga dos cães perdidos. São Paulo: Hacker Editores, 2001

 

  • MARCONDES FILHO, Ciro. Jornalismo Fin-de-Siècle. São Paulo: Scritta Editorial, 1993.

 

  • MULLER, Carlos. Convergência de Mídias. Disponível em http://www.anj.org.br. Acesso em 27 de novembro de 2007.

 

  • PROSS, Harry. Investigação sobre a mídia. Darmstat: Carl Habel, 1971.

 

  • SOUZA, Hamilton Octavio. O papel dos conglomerados da comunicação. Disponível em http://www.espacoacademico.com.br. Acesso em 25 nov. 2007

 

  • THOMPSON, John B. Ideologia e Cultura Moderna, 1995 5ªedição – São Paulo, Editora Vozes.

 

  • Conheça a história do site de vídeos Youtube. G1. Disponível em http://g1.globo.com. Acesso 27 nov 2007.

 

 

Sites utilizados para busca

 

Google – www.google.com.br

Wikipedia – www.wikipedia.com.br

MTV Overdrive – www.mtvoverdrive.com.br

O Globo Online – Ricardo Noblat: http://oglobo.globo.com/pais/noblat

O Globo Online: http://oglobo.globo.com

Escrito por Grupo Mídia terciária às 23h39
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